Publicado por: congadadepiracicaba em: outubro 14, 2009

JOÃO CHIARINI
Entre as inúmeras atividades culturais de João Chiarini, aquela em que ele pontificou, tornando-se reconhecido como um dos maiores “experts” do País, foi o Folclore. Nas anotações recolhidas em documentos inéditos, João Chiarini fez registros que vão de 1942 a 1959. Durante toda a sua vida, desde 1942, Chiarini ocupou espaços na imprensa e rádios locais, quase que diariamente, escrevendo e discorrendo sobre as nossas artes e tradições populares. São as informações que fornecemos a seguir:
1- Em 1942, Chiarini iniciou o agrupamento dos violeiros, modinheiros, modistas de viola, catireiros, et al., que se encontravam isolados na vasta região da Média Sorocabana;
2- Começou a apresentação dos grupos de demonstrações folclóricas em Piracicaba, depois em outras cidades, para intelectuais em geral, objetivando despertar-lhes o interesse pelo folclore;
3- Em 1943, restaurou, em Piracicaba,a pureza e a autenticidade da “Festa do Divino”, que havia sido sofisticada intencionalmente. O mesmo ocorreu, em busca da pureza folclórica, na I Festa do Peixe (outubro de 1966), e nas duas outras que aconteceram respectivamente em janeiro e dezembro de 1967. O mesmo aconteceu com a “Folia”, que percorria a Avenida Beira Rio Joaquim Miguel Dutra, e o Concurso de Cuscuz(1967). Muitas e grandes festanças foram apresentadas na quadra do Clube de Regatas de Piracicaba, tais como: batuque, cana-verde, cateretê, cururu, congada, decima, desafio, moda de viola, samba-desafio, samba-lenço, samba-roda, além de quimbandas e umbandas que eram registradas pelo figureiro Geraldo Albertine em peças de argila;

5- No dia 30 de maio de 1945, ele criou o “Centro de Folclore de Piracicaba”, declarado de utilidade pública pela Lei nº303, de 9 de junho de 1949, do Governo do Estado de São Paulo; a entidade passou, pelo menos até 1969, a manter intercâmbios culturais, inclusive em nível internacional;
6- Em 1946, Chiarini fez várias tentativas para recuperar o caiapó (ou cabocolinho), o vilão da mala e o vilão do chapéu — cuja recuperação havia sido tentada em 1913 e em 1915 — não encontrando as melodias, porém.
7- Ainda em 1946, João Chiarini preparou a monografia “Cururu”, que obteve o 2º prêmio, no I Concurso de Monografias do Folclore Musical Brasileiro, da “Discoteca Pública Municipal, da Prefeitura Municipal de São Paulo. A obra consta do Vol.CV, da Revista do Arquivo Municipal-SP, tendo-se esgotado a separata em 1947;
8- O jornal “A Gazeta”, de São Paulo, abriu espaços para Chiarini escrever sobre folclore a partir de agosto de 1948 ate 1951.
Roda de Dança da Congada.Fonte:Acervo da Irmandade do Divino Espírito Santo de Piracicaba9- Em 1949, realizou notável exposição em São Paulo, no Parque da Água Branca, que durou sessenta dias. Foi a “Feira Folclórica”, com cerca de seis mil implementos expostos, destacando-se o museu ergológico, a cozinha folclórica, a discoteca, a filmoteca, a hemeroteca, a mapoteca, com valores regionais, a partir do Centro de Folclore de Piracicaba.
10- A partir de 1950, o nome de João Chiarini passou a figurar na bio-bibliografia folclórica brasileira e do exterior, vindo a ser incluído, na década de 60, entre os autores de obras tradicionalistas.
11- Ainda em 1951, Chiarini era membro de 11 entidades folclóricas congêneres existentes no Brasil e de 78 outras do estrangeiro, alusivas ao folclore, à tradição, à música, à museografia, à museologia, americanistas e afins, participações documentadas com medalhas e diplomas.
12- Até 1952, havia realizado mais de 700 palestras, devendo-se notar que — não pertencendo a entidades como Rotary e Lions clubes — foi, nesses clubes de serviço, quem mais falou sobre folclore.
13- Planejou e foi presidente do I Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros, realizado em Salvador, Bahia, em julho de 1955.
14- Até 1955, Chiarini tinha publicado, na imprensa interiorana e na das capitais, mais de 3.200 artigos sobre folclore;
15- Entre muitos trabalhos, preparou e escreveu “Anatomia da Viola”, “Festa do Divino em Piracicaba”, “Folclore de Piracicaba”, dois volumes, monografias elaboradas em 1956; e o livro de poemas, “Argamassa”, publicado postumamente.
16- Em 1956, participou do programa de maior audiência da televisão brasileira, na época, “O Céu é o Limite”, respondendo, durante três meses, a perguntas sobre folclore, com repercussão nacional.
Congada:Apresentação na Festa do Divino de Piracicaba(2007).Fonte:Acervop da Irmandade do Divino Espírito Santo de Piracicaba17- Foi convidado especial, de 1955 a 1958, do Festival de Folclore Hispano-Americano, em Cáceres, na Espanha.
18- Em 1º de fevereiro de 1959, organizo a Festa da Uva de Jundiaí, levando 190 figuras para o desfile folclórico, a partir do Centro de Folclore de Piracicaba, apresentando todas as “festanças” regionais.
19- Por seus métodos folclóricos, havia recebido, até 1959, a Medalha “Marechal Rondon”(Sociedade Geográfica Brasileira) e a “Imperatriz Leopoldina”, além de diploma de sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. “
Fonte: A Província-Cecílio Elias Netto(26/01/2007)

O Autor:Cecílio Elias Neto
outubro 14, 2009 às 11:46 am
nossa mã…
seu blog com pouco tempo de vida já está super completo e está só começando heim…
parabéns pela iniciativa e VAMOS BLOGAR!!!
beijão