Congada Divino Espírito Santo

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Em conversa com um grupo de pessoas comentei o termo “Guardião da Tradição”, curiosos indagaram-me, alguns espantados, outros distantes, e chegou a hora do questionamento; então a paixão por esse dez-licioso tema aumiou minha fala que perambulou por entre o ser e o se sentir ser um verdadeiro guardião:

Um guardião não se faz, ele nasce guardião, peço licença para parodiar as falas de meu amigo, mui amado e saudoso Abel Bueno. É algo inerente naquele que em suas ações deixa explicito seu compromisso e profundo respeito no doce limiar da evolução de uma história, de um povo, de um lugar, de um objeto. É como se pulsasse no peito desse mágico ser, a volúpia em dar continuidade áquilo que representa uma estrutura ancestral, talvez até mesmo sua própria estrutura.

Foto: Fátima-Voluntária do Divino

Não há mecanismos ou engenhocas que consigam capitar essa essencia, pois é viva e não se ata em imagens ou se prendem à artificial sonoridade de um gravador; por mais que os burocratas da cultura o tenham tentado.
Poucos são aqueles que conseguem captar a essencia de um guardião da tradição com sua arte, os que o fazem, certamente deixaram de lado a titulação de artista, para transgredir a alma do consumo desenfreado e muitas vezes destruidora, e transmutá-la em alma luminosa, dando-nos a chance de recomeçar o ciclo da vida cultural com olhar mais depurado.
Assim ocorre a bela foto, imagem inerte, mas que tem tanta energia que nos parece querer a vida em seu bojo. assim ocorre com a película que abarca muito além de simples perpectivas tecnicamente justapostas, para se tornarem poesia em movimento. Assim ocorre com o som audível apenas àqueles que permanecem artisitcamente incorruptíveis, pois detem a pureza do ouvir e sentir prazer no coachar de um sapo, no vento que balança a folha no alto da árvore, no arrepio delicioso de um banho de chuva com os pés descalços a pisar em poças dáguas… e muito mais… muito mais…
O olhar de um guardião não é tão somente o físico, mas vem do coração espiritual, que pulsa no ritmo da esperança de continuidade; desse olhar muitas vezes vertem lágrimas de prazer em ser junto à uma manifestação popular tradicional e jamais estar, pois ser é diferente de estar, enquanto um ocorre pela continuidade de sentidos e formas, o outro é perene e se esvanece nas tendências das circunstancias ideológicas  que a vida propicia.

Foto: Naan Silva

Um guardião não é um prêmio a ser dado institucionalmente, mas uma história construída junto de pares. A-R-T-E-S-A-N-A-L-M-E-N-T-E! Gerando uma simbiose amorosa com aquilo que se nutre profundo respeito e desejo de salvaguardar, sem que para tal seja cobrado qualquer taxa de  prestação de serviço.
O guardião sabe que há coisas e atos que jamais são mensuráveis financeiramente e muitas vezes doa a esse bem o que tem, para que o mesmo possa continuar e/ou se perpetuar para a sociedade. SABE QUE HÁ DIFERENÇAS ENTRE FAZEDORES DA CULTURA POPULAR E OS ATRAVESSADORES DA MESMA
Inexiste critérios, fórmulas ou atalhos para ser um guardião, é como se o céu elegesse alguns afortunados, provendo-o com a insanidade peculiar de doar-se à um local, objeto, pessoa, grupo ou planeta. Tens em suas mãos a secular calosidade daquele que esculpe a memória no dia a dia de sua vida.
O guardião jamais é eleito, impossível ser catalogado, muitos séticos desacreditam de sua existência, pois nosso sujeito em questão tem por habito habitar nas entrelinhas das manifestações, cerzindo com docura e amorosidade, o tecido rústico, muitas vezes roto, que serve de pano de fundo para a cultura popular brilhe em todo seu explendor.

Fonte: Internet

Não há salários, mas gratidão daqueles que são protegidos por um guardião, mas é perceptível a gratidão sob forma de abraços, olhares doces, cumplicidade, um simples aperto de mão e cheio de significados, ou uma marota e generosa colherada daquele doce de abóbora  com coco apurado no tacho de cobre, por sobre um fogão de lenha e essa lenha a criptar, como se soubessem o valor de um guardião…
Quanto isso vale para você? Esse saborear o cheirinho que vem em companhia daquela receita que passou da avó, da avó da bisavó…
Onde estão? Em todos os lugares e em lugar nenhum… São amigos de sacis, de iaras, acreditam no vento que sobra a previsão de chuva, riem daqueles que pensam que sabem e fazem questão de demonstrar sua pseudo sabedoria…
Como detectá-os, apenas sendo um deles, pois somente os iguais é que reconhecem, mas aviso aos falsificadores de etiquetas culturais: nem mesmo os guardiões o sabem sê-los, pois apenas o são… E se ousam colocá-lo em evidência, perde-se um possível elo que seria gerado em prol da cultura popular.

Fonte:Internet

UM ABRAÇO A VOCÊ GUARDIÃ(ÃO) QUE SABE SÊ-LO!

ROBERTA LESSA – Coord. Congada de Piracicaba

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SOBRE A CONGADA DE PIRACICABA:

Manifestação folclórica existente no município de Piracicaba-SP, que engloba música, dança, canto e religiosidade do Grupo de Congada do Divino Espírito Santo de Piracicaba (GRUCONDESPI).